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  • Writer's pictureRodrigo Bandeira

Quem te ensinou que o Amor dói?

Parece uma pergunta estranha, não é? Mas como tudo na vida alguém nos ensinou a andar, comer, brincar. Sempre alguém nos ensinou como as coisas funcionam das mais simples até às mais complexas.

quem te ensinou que o amor doi?

Uma dessas coisas complexas é o Amor. E ao atender ou conversar com algumas pessoas notei que algumas delas sustentam uma firme ideia de que o amor e a dor sempre andam juntos. Elas admitem e querem tratar as suas dores mas relutam em olhar  para a possibilidade de um amor leve.


Em alguns casos mesmo entendendo o que aconteceu, reeditando as cenas na memória a pessoa ainda tem uma certa ligação com o ambiente ou com alguém e continua a sentir a mesma dor.

Mas o que poderia nos ligar a memórias traumáticas, as nossas  percepções de escassez ou a uma dor tão profunda? O que seria tão poderoso?

Uma das possibilidades que percebo como terapeuta é que inconscientemente a pessoa tem medo de perder o vínculo com a pessoa ou situação estimada.


Alguns de nós aprendemos que sentir dor  ou desconforto é quase sinônimo de cuidado, amor ou afeição.


Tivemos aquele amigo que só reclamava da vida mas era um companheiro nas horas difíceis, nossos pais que garantiram nosso sustento pelo trabalho mas ficamos sem acesso a eles por horas na infancia, as dificuldades que nossos avós tiveram ao mudar de residência mas que trouxeram oportunidades melhores para a família.

quem te ensinou que o amor doi?

Coisas dolorosas que presenciamos ou mesmo histórias que ouvimos, que nossas pessoas queridas estavam envolvidas em dor e isso pode nos marcar profundamente.


Em outras palavras partes da sua psique acreditam que precisam sustentar a dor em nome desse vínculo, pois acreditam que se tirarmos a dor irão junto as coisas boas que viveram ou sentiram com essas pessoas.


Como a dor, o desconforto ou o sacrifício fazem parte dessas histórias nosso inconsciente pode registrar a idéia que não existe afeto, cuidado, ou amor sem a presença da dor.


Essas partes inconscientes podem deturpar nossa percepção atual dos fatos e assim seguimos na dor que parece sem motivo e muitas vezes sem nenhum sentido lógico pois a nossa realidade não é de escassez ou necessidade de sobrevivência, ou ignorância sobre nossos sentimentos internos,  não é mesma desses entes queridos. Acontece com muitas pessoas que já olharam para alguma dor profunda ou já estão em processo terapeutico e não melhoram.


A dor não precisa ser a lembrança que vc tem de alguém. Vc não precisa manter o vínculo através dessa dor.


Depois de tratar a dor ou assumir que tem partes suas que ainda sustentam essa dor por causa da importância desse vínculo, você ocupará o lugar de gerência da sua vida, percebendo o que é valioso e deve ser levado adiante e o que foi aprendizado seu ou dos seus entes queridos.


Quando você mantém o vínculo através da dor a cena do passado se mantém viva no você de agora  se perpetuando indefinidamente mas quando você decide manter o vínculo através do Amor, passa a reforçar a leveza, o carinho ou afeto que você sente por eles e começa um processo de auto cuidado profundo e assim reforça o que é importante para você auxiliando o seu processo terapeutico.


Você não precisa mais manter o vínculo através da dor, escolha manter o vínculo com o Amor  que sente e que a dor não seja a sua lembrança de algo que se passou com alguém importante na sua vida.


 Um abraço com Amor e Respeito,


 Rodrigo Bandeira.



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